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segunda-feira, 5 de março de 2012

Blecaute - Marcelo Rubens Paiva

Olá meninas e meninos.

Hoje gostaria de indicar um livro que muitos não devem conhecer. É brasileiro e de um escritor que eu adoro. Marcelo Rubens Paiva. Jornalista e dramaturgo escreveu ótimos livros, um deles o Feliz Ano velho, um dos mais famosos dele. Mas o que lhes indico é o Blecaute.


eu li Blecaute numa fase da minha adolescência em que tudo estava acontecendo. Família, namoro, amigos, escola mexem com a gente e esse livro me deixou muito pensativa numa fase em que eu mesma já estava pensativa.
O livro trata-se de um grupo de alunos que resolveram fazer uma expedição numa caverna. A caverna enche de água e eles ficam presos por 3 dias. Assim que conseguem sair, notam que algo errado aconteceu com a cidade, o país, o mundo. Todo mundo tinha virado plástico.

É uma leitura rápida, linguagem simples e fácil. Mais fácil ainda é você se perder no livro e lê-lo numa tacada só. Pra mim, foi delicioso.

Uns dos trechos que mais gosto é este:


"Ela abriu um sorriso bonito.
- Quer uma carona?
Aceitei.
Foi a minha primeira namorada. Nome: Cíntia Strasburguer, a menina com o sorriso
mais bonito que já vi, filha do dono de uma cadeia de supermercados e a melhor amiga
de Ângela Sauer; que também iniciou um romance com Mário. Foi uma época
interessante: saíamos em pares pelos bares de São Paulo. Não existia uma grande
paixão, apesar de Angela ser uma garota muito simpática e Cíntia ter uma sorriso muito
bonito. Além da companhia, o que mais me atraía naquela história era poder dormir com
a filha de um milionário numa cama de molas de uma pensão vagabunda. Creio que
Mário pensava a mesma coisa. Da parte delas houve a mesma curiosidade: transarem
com dois sorocabanos que não pertenciam à aristocracia paulista. A luta de classes foi o
ponto de partida do nosso relacionamento. Mas era bom. Cíntia era uma menina
inteligente, cheia de idéias malucas e criativas. Passávamos horas falando de tudo,
discutindo até os detalhes. Eu adorava discutir com ela. Não se entregava. Mesmo que
eu conseguisse provar que ela estava errada, não se entregava. Era uma guerreira. Nunca
queria perder. Finalmente, quando ela se cansava, abria o sorriso lindo. Comecei a achar
que aquele sorriso era uma arma, pois eu sempre falava “está bem, você ganhou“, só
para vê-la sorrir novamente. Era um lindo sorriso.
Com o tempo as discussões foram ficando compridas e mais agressivas. Um dia, ela
falou num acesso de raiva que eu era péssimo na cama. Fiz força para não me importar,
mas acabei ganhando um dos maiores complexos da minha vida. Brigamos. Foi o fim.
Em seguida, Mário acabou dispensando a coitada da Angela Sauer que não tinha nada a
ver com a briga. “O povo, unido, jamais será vencido.“ O que mais lamentava era saber que não teria uma discussão daquelas tão cedo, nem veria um sorriso tão bonito. O
universo em expansão... Mas isso foi há muito tempo."


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